Artigo - Não somos macacos

05/05/2014

A atitude do jogador Daniel Alves de comer uma banana atirada por um torcedor que tinha como objetivo insultá-lo com atitude racista trouxe à tona o tema do racismo no esporte. Podemos abordar este tema por diversos aspectos. Quero fazê-lo pelos positivos, ou seja, o debate em torno do combate a esse crime. No esporte, atualmente o racismo  se manifesta com mais evidência, contudo, podemos voltar a um tempo no qual o futebol era praticado apenas por uma elite branca e para que um negro pudesse jogar, teve que ser maquiado com pó de arroz. Temos  exemplos de atletas de diferentes modalidades esportivas que, apesar de serem reconhecidos internacionalmente, não abordam esse tema, com receio de serem estigmatizados. Tenho a preocupação de que o racismo no esporte, leve ao esquecimento outros dessa natureza que,após  noticiados, são esquecidos. Os casos recentes foram os do ator Vinícius Romão, preso  ao ser “confundido” com um ladrão; o do pedreiro Amarildo, o da servente Cláudia Silva,  arrastada por uma viatura policial e recentemente o assassinato de Douglas Rafael, bailarino do programa Esquenta. O povo negro  vive o cotidiano do racismo literalmente na pele, o qual  se manifesta de todas as formas.  Para amenizar seus efeitos, a sociedade brasileira iniciou um processo visando o acesso das populações negras e indígenas às  políticas públicas de ações afirmativas, tendo sido eleitos os povos e comunidades  tradicionais como principais beneficiários dessas medidas. Essas ações frequentemente são combatidas por parte da classe dominante, inclusive por aqueles que aderiram à campanha “#somostodosmacacos”, os quais enxergam tais políticas como privilégio concedido aos povos vítimas do racismo no Brasil. A chamada campanha “#somostodosmacacos” deflagrada  após as atitudes  contra o jogador Daniel Alves, embora importante,  não pode ser usada para esconder o racismo cotidiano do Brasil. Espero que esta indignação se transforme em ações reais para que um dia a prática racista seja banida da sociedade brasileira. Afinal, não somos todos macacos. Somos todos humanos.

Bira coroa,presidente da Comissão Especial de Promoção da Igualdade da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia.

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